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MISSÃO

ESCUTAR, APRENDER E CRESCER COM O OUTRO

Acreditamos que qualquer pessoa, independentemente da idade, do corpo ou do seu percurso, pode dançar e aceder a processos de ensino-aprendizagem, formais ou informais, com rigor técnico e liberdade para explorar o seu potencial criativo, em qualquer momento da vida. Qualquer artista que abrace esta missão deve ter uma base sólida de conhecimento e, ao mesmo tempo, estar disponível para escutar, aprender e crescer com o outro.

HÁ UM POTENCIAL EM QUALQUER OLHAR

A arte e a cultura vivem das pessoas, de as ver nas salas de espetáculo, galerias de arte, museus, nas escolas artísticas e da esperança de continuar a ver emergir novos públicos e profissionais do setor. 

Porém, sentimos que se transformaram os conhecimentos, o contexto social e económico da comunidade em preconceitos, que serviram para limitar a oferta cultural e artística a partir da ideia errada de que se tem «pouca» ou «demasiada» cultura para apreciar uma determinada obra. 

Não sabemos o que as pessoas gostam!

Podemos gostar de muita coisa ao mesmo tempo!

Estamos sempre a tempo de mudar e de fazer novas descobertas!

E, não há uma forma certa de apreciar arte e cultura! 

As pessoas têm o direito de ter acesso a programas culturais diversificados e de construírem, com os seus próprios sentidos, as suas opiniões. As barreiras que se ergueram ao longo dos tempos são fatores que afastam o público e que contribuem para a crise no setor. 

O artista pode ter um papel ativo na mudança deste paradigma, tendo a coragem de desapegar da paixão visceral que sente pelas suas obras e humildade para valorizar a história e o contexto social de cada indivíduo que o assiste. Deve partilhar o seu saber técnico com quem queira aprofundar os seus conhecimentos, mas também usá-lo para facilitar no outro a descoberta de ferramentas e a confiança para reconhecer, em si, que o «feio» pode ser «belo» e o «belo» também pode ser «feio». 

Por outro lado, todos gostamos de espreitar entre as cortinas de um espetáculo e de ouvir as histórias dos artistas. Uma curiosidade que humaniza os processos e aproxima-nos de quem está por trás da obra. Ter a oportunidade de, pelo menos uma vez, vivenciar esses processos criativos, de contactar com a técnica, de ser autor e intérprete, é ir para além dessa curiosidade do público e da comunidade. 

Estas experiências têm um poder transformador em vários aspectos da vida. E o que realmente importa é o respeito pelo tempo e saberes da comunidade, pelos seus interesses, encontrar em cada indivíduo o seu potencial e desafiá-lo a sair da zona de conforto. Isto consegue-se por meio de infraestruturas culturais e artísticas com uma base forte de conhecimento. As pessoas sentem quando há cuidado e a credibilidade cativa. 

Um artista com conhecimento e domínio técnico é mais confiante e mais livre, o que lhe permite ser um melhor facilitador de processos de aprendizagem e de exploração criativa, para si e para os outros. Torna-se mais adaptável a imprevistos e capaz de amparar qualquer mente. Aos participantes dos seus projetos, irá proporcionar experiências mais acolhedoras num «espaço seguro», de onde surgem boas memórias e sentimentos de realização pessoal e orgulho, pelo processo e pelo produto. De cada viagem, fica em muitos a vontade de ver e viver mais experiências artísticas e culturais, levando consigo família e amigos. Geram-se, assim, novos públicos. 

Há também os que procuram novos caminhos. Indivíduos de todas as idades, fases de vida e contextos sociais. Por vezes, a arte pode abrir essa janela de oportunidade para mudar e até de futuro profissional. É também muito satisfatório para um artista, no papel de criador, intérprete ou facilitador de aprendizagens, fazer parte ou ser o estímulo dessas descobertas de vida e ver emergir novos artistas.

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